sábado, 27 de junho de 2015

Dia de Campo na Fazenda Santa Luzia apresentou e debateu resultados do sistema ILPF e Plano ABC

Foi realizado nesta sexta-feira, 26 de junho, um dia de campo na Fazenda Santa Luzia, em São Raimundo das Mangabeiras. O evento foi o I Encontro de ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) e Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), promovido pela Embrapa em parceria com a fazenda. Prestigiaram o evento, Pesquisadores e analistas de transferência de tecnologias de diferentes Unidades da Embrapa, técnicos da extensão rural, produtores, estudantes, lideranças políticas e outros profissionais ligados à agropecuária do Matopiba, região que abrange partes dos estados do Maranhão, Piauí e Bahia e todo o Tocantins.

O evento foi dividido em cinco estações técnicas e os participantes em cinco grupos. Na primeira, na segunda e na terceira, foram debatidos, respectivamente, os componentes florestal, agrícola e pecuário dentro do sistema ILPF. A quarta estação envolveu visita às instalações e aos maquinários necessários para o sistema e, na quinta estação, foi realizada uma plenária sobre ILPF e Plano ABC.

A Fazenda Santa Luzia produz em cerca de 6.000 hectares com o sistema integrado de produção (lavoura e pecuária), sendo 5.000 hectares para o plantio direto de soja verão, 1.000 hectares consorciados entre milho verão e capins e 300 hectares com pastagem permanente. Na safrinha, a fazenda cultiva 829 hectares consorciados entre milho safrinha e capins, 1.048 hectares com safrinha de sorgo, 1.500 hectares com safrinha de milheto, 100 hectares com safrinha de feijão e 1.010 hectares com Brachiaria sobre semeadura de soja. Além da lavoura e pecuária, a fazenda mantem uma área experimental de integração entre floresta e pastagem.

Um dos proprietários do empreendimento, o Senhor Oswaldo Massao, destacou a importância da parceria com a Embrapa: “A Embrapa tem um papel fundamental para validar e difundir essa tecnologia. É uma tecnologia que a fazenda incrementou 10 anos atrás [e] incrementamos por necessidade de alavancar a cadeia produtiva da soja e do milho e ter mais renda”. Ele avaliou o evento como bastante positivo: “Tenho certeza que o pessoal que veio aqui vai levar alguma coisa de conhecimento”.

A Fazenda iniciou a implantação do sistema integrado na safra 2004/2005, com 42 hectares. Na safra 2005/2006 a área aumentou para 122 hectares. Durante o encontro, técnicos da fazenda e da Embrapa apontaram diversos benefícios para o solo com o sistema integrado, tais como: “Produção de massa para cobertura de solo; melhoria da fertilidade do solo; aumento da matéria orgânica; aumento da capacidade de retenção de água no solo; diminuição de riscos climáticos e aumento da produtividade e rentabilidade com sustentabilidade”. Ainda segundo os técnicos, para a pecuária, a integração da lavoura com o pasto possibilita: “Adoção de boas práticas de produção; fonte de alimento para o gado no período seco; alta qualidade do alimento fornecido; suplementação a pasto; e alto ganho de peso diário”.

A Fazenda Santa Luzia é destaque nacional com a implantação do sistema integrado de produção, tendo sido pauta de reportagem do programa de TV Globo Rural em 2013 (VEJA AQUI).


Atualizado: 28/06/2015 - 14:15

Embrapa: Benefícios da integração lavoura-pecuária no Matopiba são discutidos em evento no Maranhão


"São vários benefícios. Principalmente agregação de valor. A empresa que implanta sistemas integrados consegue manter altas produtividades, tanto da cultura de grãos (como soja, milho e sorgo), como consegue ter um ganho muito bom também na parte de pecuária", afirma Adelmo Oliveira, gerente-geral da Agropecuária Santa Luzia, que fica em São Raimundo das Mangabeiras-MA e pratica integração lavoura-pecuária (ILP) há 10 anos.

Ele relatou a experiência da fazenda durante evento sobre integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e o Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC). Foi o primeiro de quatro encontros anuais que Embrapa e parceiros públicos e privados vão promover para transferir tecnologias nessas áreas nos estados que integram o Matopiba (todo o Tocantins e partes do Maranhão, do Piauí e da Bahia).

O proprietário da Agropecuária Santa Luzia é Oswaldo Massao. De acordo com ele, a produtividade, na década de 1990, era em média de 40 a 42 sacas de soja e entre 90 e 100 sacas de milho por hectare. Desde que implantou a integração lavoura-pecuária, há cerca de 10 anos, a fazenda viu as médias aumentaram para cerca de 60 sacas e para quase 160 sacas, respectivamente. Ou seja, houve consideráveis ganhos de produtividade nas duas culturas agrícolas. Referindo-se à experiência em sua propriedade, ele afirma que "esses três itens eu acho o pilar do sucesso: o melhoramento da genética, a plantabilidade (plantadeiras mais modernas) e a palhada de braquiária, que aguenta muito tempo".

Marcos Teixeira é pesquisador da Embrapa Meio Norte (Teresina-PI) e coordena o projeto de transferência de tecnologia em ILPF no Matopiba. Segundo ele, a região tem tudo para aumentar essa integração: "nós estamos apenas nos primeiros produtores pioneiros. Não temos nenhum dado ainda pra registrar se tem 5% de integração lavoura-pecuária e mais o componente florestal, se são 10% ou se são 20%", aponta.

O pesquisador diz que os Cerrados existentes nos quatro estados do Matopiba são parecidos em termos de oportunidade para o agronegócio. "Nós estamos querendo continuar esse esforço de integração dos quatro estados, das comitivas dos quatro estados, nos reunindo a cada ano", explica.

A ideia desses encontros anuais é mostrar propriedades consideradas referências quando o assunto é ILPF em quaisquer de suas variantes: integração lavoura-pecuária; integração lavoura-floresta; integração pecuária-floresta; integração lavoura-pecuária-floresta, que reúne os três componentes.

Um dos participantes do encontro do interior maranhense, ocorrido no último dia 26 de junho, foi Luciano Vilela, pecuarista em Araguatins-TO que vem inserindo o componente agrícola de forma gradativa em sua área. Segundo ele, "com essa nova proposta da agricultura integrada com a pecuária, a gente pensa em não ter aquele pasto mais de muitos anos, com um zelo muito caro pra manter durante 20, 30 anos". Ou seja, o produtor refere-se a possível diminuição de custos financeiros relacionados à manutenção do capim para o gado, situação permitida com a integração feita com o componente agrícola.

Perguntado se indicaria a outros produtores também adotarem a integração lavoura-pecuária, o gerente da Agropecuária Santa Luzia afirma que sim. "Por mais que cada caso é um caso. Logicamente, a fazenda hoje é um projeto modelo, de sucesso, na região do Matopiba. Mas esses agricultores que estão tendo a oportunidade de visitar e ver essa referência têm a oportunidade de adaptar essa estrutura dentro da propriedade, dentro da microrregião deles", opina Adelmo.

Projeto em parceria – O projeto de transferência de tecnologia em ILPF no Matopiba faz parte de uma rede nacional que tem o mesmo objetivo e atua em diferentes regiões do país. A rede é formada pela Embrapa, através de diversas Unidades, e CocamarDowSyngentaJohn DeereSchaeffler e Parker. Na região do Matopiba, estão envolvidas quatro Unidades da Embrapa: Embrapa Cocais (São Luís-MA); Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO); Embrapa Meio-Norte (Teresina-PI); e Embrapa Cerrados (Planaltina-DF), que atua também na Bahia.

Propriedades atendidas – A Agropecuária Santa Luzia, de Oswaldo Massao, e a Fazenda Araguaiana, de Luciano Vilela, são duas das propriedades atendidas pela Embrapa. Uma terceira é a de Antônio Costa, produtor rural em Pium-TO que também esteve no encontro de São Raimundo das Mangabeiras-MA. Durante o evento, ele deu um depoimento sobre sua experiência. Confira no áudio disponível aqui.

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Posted by Memórias de Mangabeiras on Sábado, 27 de junho de 2015
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