sexta-feira, 9 de maio de 2014

Greve: Servidores do IFMA de Mangabeiras realizam audiência sobre transporte coletivo

Os servidores do IFMA, Campus de São Raimundo das Mangabeiras, que estão em greve desde o dia 07 de maio, realizaram nesta quinta-feira, 08, segundo dia da greve, uma audiência pública, com a presença de alunos, pais, representante do governo municipal e promotor de justiça, para tratar da questão dos ônibus que fazem a linha entre a cidade e o campus. A audiência foi realizada no auditório da Câmara Municipal.

Os servidores atribuem os custos com transporte e a falta de alimentação, que não é ofertada pela instituição, como as principais causas da evasão escolar no campus.


Atualmente, os estudantes pagam R$ 1,10 pela meia passagem, mas, secundo o representante dos pais, o senhor José Iglesio, para muitas pessoas o valor pode ser pouco, “mas para quem tem quatro filhos, quando for no fim do mês [o orçamento] está estourado”.

Para José Iglesio, a reunião foi um primeiro passo para que as pessoas prejudicadas possam saber para quem devem recorrer para buscar uma solução para a questão do transporte.

“Isso aqui já foi o primeiro inicio da gente procurar as vias legais para fazer uma coisa segura, sem atrapalhar as empresas e sem ser atrapalhado, porque até o momento nós é que estamos sendo atrapalhados, não a empresa”, disse José Iglesio.

Durante a audiência, foi relatado que alunos de outros municípios estão tendo que ir embora por não terem condições de arcar com as despesas, que incluem transporte, alimentação, hospedagem, uma vez que muitas famílias são carentes. Uma das defesas da greve é que a instituição instale o restaurante no Campus, bem como providencie alojamento estudantil.

O professor Roberto Kenedy, que faz parte do comando de greve, informou que as dificuldades financeiras atingem, não apenas famílias de outros municípios, mas também muitas famílias que residem no município.

“Através de depoimentos de alunos, de pais de alunos, esse valor cobrado, esse valor a ser pago, interfere diretamente na renda familiar, na subsistência das famílias mangabeirenses e das famílias das cidades circunvizinhas. Então, esse sim, é um fator preponderante para que essa evasão esteja e atinja este patamar que já está hoje”, disse Roberto Kenedy.

O promotor de Justiça, Renato Ighor, disse acreditar que, “as reivindicações e as soluções trazidas aqui hoje foram boas. São saídas que podem ser levadas às autoridades públicas, para que possamos resolver esse problema”.

Arildo Corcino participou da audiência representando os estudantes. Ele disse que os políticos implantaram o campus, mas “não se preocuparam com coisas básicas e essenciais, que é o funcionamento de qualidade dessa educação. E o transporte seria uma ferramenta mais do que essencial [para incentivar] as pessoas da classe social baixa a ingressarem no instituto federal, a fazerem um curso superior, um curso técnico profissionalizante”.

O representante da prefeitura, Edson Melo, ficou de se informar e apresentar aos grevistas o posicionamento da prefeitura quanto às reivindicações relacionadas à empresa de ônibus que transporta os estudantes, como, por exemplo, o fato dos ônibus andarem superlotados e não fazerem mais viagens durante o dia. Os ônibus levam os alunos pela manhã e só retornam à cidade por volta do meio dia, quando as aulas encerram. No período da tarde e à noite o roteiro é o mesmo. Servidores e alunos defendem mais horários, pois, dependendo das atividades desenvolvidas e/ou fatos inesperados, algumas turmas são liberadas mais cedo, tendo os estudantes que esperar o ônibus. A empresa que presta o serviço é privada e detém a concessão, licitada pela prefeitura, para explorar a linha.

Audiência contou com a presença de representantes dos servidores, Ministério Público, Prefeitura, pais e alunos.

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